BSB 20-02-1987 Friday

BSB 20-02-1987 Friday

BSB 20-02-1987 Friday

School restarted on Weds. Today after school Lara came up to me and said: “Fabiane died!” I was in shock. I ran home and then went to the funeral with Lara, Celia and Patricia Figueredo. Lots of people from Caseb where there already. When we arrived everyone was crying… Karina was desperate. I ended up crying a lot too. I went to see her in the open casket and I couldn’t believe it was her. How awful! You won’t guess how she died: heart failure, on the way to hospital. Official reason: Ashma attack. Real reason: loló, chloroform. What a stupid death. She accidentally killed herself. It was awful and I don’t like to talk about it, it makes me nervous, anxious. I cried for three hours, it’s sad to remember it all. Fabiane should come back to us. There were so many flowers on the casket. Such a horrible death surrounded by so much beauty.
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Note: Later in the year we heard that Fabiane’s brother had murdered his girlfriend, because he never got over her death. So much tragedy in one family. Then I found this article, recently. I’m going to c+p here in case it gets removed from the source. I’ll translate fully when I get a chance.

But in summary, a theory as to why Marcelo Bauer Duarte killed his ex, Thaís Muniz Mendonça

A não aceitação do fim do namoro e a vingança pela morte da irmã sempre foram as linhas de investigação da polícia brasileira para o assassinato de Thaís. O clima entre o casal piorou com a morte da irmã de Marcelo, aos 15 anos, em 19 de fevereiro de 1987, pouco antes do fim definitivo da relação entre Thaís e Marcelo. Fabiane foi à casa de Thaís e passou mal após cheirar a droga conhecida como loló, feita de clorofórmio. No apartamento, estavam apenas Fabiane e Lavínia, irmã de Thaís, que chegou pouco depois. Ao entrar no imóvel, a professora Vera Cecília Mendonça, 46, mãe de Thaís, encontrou as adolescentes desmaiadas. Conseguiu acordar somente a filha.
The non acceptance of the end of the relationship and revenge for his sister’s death have always been the main line of enquiry of Thais’ murder. Tensions between the couple increased with Marcelo’s sister’s death, aged 15, on 19th February 1987, just before the couple finally split up. Fabiane went to Thaís’ and fell ill after sniffing the drug known as loló, made of chloroform. Only Fabiane and Lavínia (Thaís sister) were at the apartment, Thaís arrived a while later. When Vera Cecília Mendonça, 46, Thaís’ mother, arrived home, she found the teenagers unconscious. She only managed to wake up her daughter.

Vera chamou uma ambulância. Ao dar entrada no Hospital das Forças Armadas, médicos atestaram a morte de Fabiane por uma parada cardíaca fulminante. Os pais da menina estavam em Guarapari.
Vera called an ambulance. When Fabiane arrived in Hospital, doctors declared her dead from a cardiac arrest. Fabiane’s parents were in Guarapari.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2011/11/13/interna_cidadesdf,278239/saiba-quem-e-e-como-marcelo-bauer-construiu-uma-nova-vida-na-europa.shtml

Brasília espera, há 24 anos, a punição do assassino de Thaís Muniz Mendonça, sequestrada e morta aos 19 anos com um tiro e 19 facadas. A polícia e o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) indiciaram Marcelo Bauer Duarte e convenceram a Justiça a levá-lo a júri popular pelo crime cometido contra a ex-namorada. Mas ele nunca sequer prestou depoimento no Brasil. O paradeiro dele foi descoberto apenas em 2000, na Dinamarca. Na época, passou oito meses detido. Livre, conseguiu abrigo na Alemanha. Nem a tentativa de julgá-lo à revelia vingou. A família constituiu advogado há duas semanas e, no dia do julgamento, quarta-feira passada, o defensor faltou e alegou estar doente. O juiz remarcou nova sessão para 7 de fevereiro.

Para reconstituir o crime e a fuga do acusado, o Correio esmiuçou as 1.796 páginas dos nove volumes do processo que trata da morte de Thaís. O jornal teve acesso a provas até então inéditas. Os mais de 40 depoimentos de testemunhas e 10 cartas escritas pela vítima mostram o histórico agressivo de Marcelo Bauer. Já relatórios da polícia dinamarquesa revelam os delitos praticados pelo acusado para deixar o Brasil e se esconder em terras estrangeiras. Ele falsificou documentos, criou nova identidade, enganou muita gente. Em desabafos a amigos e no interrogatório a agentes dinamarqueses, falou em vingança, da certeza da condenação caso voltasse ao país, apesar de negar o assassinato da ex-namorada.

O CRIME

A juventude da classe média brasiliense dança, embalada por Renato Russo e sua Legião Urbana, sucesso em todo o país com as letras de protesto. O Brasil ainda não sabe o que é eleger um presidente de forma direta após o fim do regime militar. No segundo ano, vivendo a ressaca do fracassado Plano Cruzado, o governo de José Sarney atravessa uma grave crise econômica, que evoluiu para um quadro de hiperinflação histórica e de moratória. Também são inúmeras as acusações de corrupção na esfera federal. Para piorar, militares desestabilizam o processo de redemocratização.

Por volta do meio-dia de 12 de julho de 1987, um domingo, durante a seca no Distrito Federal, bombeiros são acionados para apagar o fogo no cerrado da 415 Norte. Ainda pouco habitada, a região convive com lixões clandestinos, também usados para a desova de veículos roubados. No início do combate ao incêndio, os militares encontram o corpo de uma mulher, com cortes no pescoço, uma perfuração na cabeça e muito sangue no rosto.

O Boletim de Ocorrência nº 2856, registrado na 1ª Delegacia de Polícia (Asa Sul) dois dias antes pelo professor e assessor do Ministério da Educação Hamilton Muniz Mendonça, 48 anos, dá conta do desaparecimento da filha dele. Thaís Mendonça sumira logo após a aula matutina no câmpus da UnB, em 10 de julho. O pai a descreve como morena, magra, com 1,65m de altura, olhos e cabelos castanhos. Mesmas características do corpo localizado na 415 Norte, vestindo calça jeans azul Ellus, tênis brancos Nike, meias soquetes azuis, camiseta branca com um broche escrito “Sindicato já! Servidores públicos.”, relógio Ferrari branco, brincos de plástico marrom, aliança de ouro e quatro anéis, um deles quebrado.

A confirmação do trágico fim da bela Thaís, aluna do 6º semestre de letras, vem em 14 de julho, com o laudo do Instituto de Criminalística. Ele traz o resultado do exame das impressões digitais da vítima. Àquela altura, os investigadores da 2ª Delegacia de Polícia (Asa Norte) já têm um suspeito. Aluno de sociologia da UnB, o gaúcho Marcelo Bauer, 21 anos, havia namorado Thaís de julho de 1984 a fevereiro de 1987. Parentes e colegas de faculdade e de trabalho da moça contaram aos policiais histórias de perseguição e de agressão dele à ex-namorada, durante e após o relacionamento. Ele costuma andar armado.

Jorge Cardoso/CB/D.A Press
Tenente-Coronel da PMDF, Ernesto Bauer, e pai do acusado de homícidio de Thaís Muniz Mendonça, durante entrevista sobre o caso em 1987
OS AVISOS

Thaís morava com a mãe e os dois irmãos, Davi, então com 20 anos, e Lavínia, 14, no Bloco A da 307 Sul. Os pais estavam separados. Marcelo ficou proibido de entrar no prédio após tentar sequestrar a garota na madrugada de 20 de junho de 1987. Ele a abordou no pilotis do edifício, após ela chegar de um encontro com o novo namorado, um jovem de 26 anos, mineiro de Manga, morador da 405 Norte. Marcelo ameaçou levá-la à força para Pirenópolis (GO), a 140km de Brasília. Mas ela reagiu com berros, o que fez o agressor soltá-la. Com medo, Thaís revelou aos pais as ameaças e as agressões. Marcelo fazia plantões nas salas de aula na UnB, no curso de inglês, no trabalho e na academia de ginástica dela.

A estudante conheceu aquele que viria a ser seu último namorado em 3 de fevereiro de 1987, primeiro dia de trabalho dela no INPS, o atual INSS. Eles trabalhavam na mesma seção e, após alguns encontros, começaram a namorar em maio, quando ele acabara de deixar o INPS para assumir a função de assistente de gerente em uma cervejaria. “Um dia, a Thaís me contou que o Marcelo a sequestraria e a mataria se arrumasse outro namorado. Eu o via diariamente atrás dela, no INPS, antes mesmo de nos tornarmos namorados. Por um tempo, ela escondeu o nosso relacionamento do Marcelo. Quando ele descobriu, disse que eu seria um homem morto”, contou, na 2ªDP, durante a investigação do crime.

O SUMIÇO

Marcelo Bauer não aparece na faculdade e no trabalho, desde a tarde em que Thaís foi vista com vida pela última vez, na UnB. O rapaz mora no Bloco C da 315 Sul com os pais — o tenente-coronel da Polícia Militar do DF Rudi Ernesto Bauer, 46 anos, e Míriam Conceição Duarte Bauer, diretora de uma escola pública — e o irmão, André, 19, estudante de engenharia elétrica da UnB. Marcelo estudas de manhã e trabalha à tarde como auxiliar de administração da Procuradoria-Geral de Justiça do Trabalho do DF. Ele tem um Passat modelo Surf, amarelo, ano 1978 e placa AQ-6218-DF, em nome do pai, de quem ganhou um revólver calibre .22, em 11 de abril de 1987, de aniversário. Rudi Bauer tem oito armas de fogo em casa.

Logo surge a desconfiança de o tenente-coronel ter ajudado o filho a fugir. A situação piora quando o secretário de Segurança Pública do DF apoia a atitude do colega. “Ele (Rudi) fez bem, porque inclusive a lei o protege. Agora, no que diz respeito a nós, tanto o moço, se ele for culpado, quanto outro criminoso — fosse até meu filho — deveria responder por isso. Mas, se o meu filho estiver envolvido, saio da secretaria e vou ajudá-lo”, diz, em entrevista coletiva, o coronel José Olavo de Castro.

Rudi Bauer telefona para a casa de Thaís na primeira hora do dia 11, dizendo procurar por Marcelo. O oficial nega a possibilidade, levantada pela família da garota, de o filho ter levado a ex-namorada para Guarapari (ES), onde os Bauer têm uma casa de veraneio. Diferentemente do pai da universitária, o PM não registra a ocorrência de desaparecimento do filho.

O oficial vai sozinho ao Cemitério Campo da Esperança, na tarde de 13 de julho de 1987, onde é velado o corpo de Thaís. Recebido com hostilidade, volta logo para casa. A vítima é enterrada à noite. Dois dias depois, policiais localizam Rudi, a mulher e o filho André em Porto Alegre (RS), na casa dos sogros dele. Ao telefone, o militar afirma desconhecer o paradeiro de Marcelo. Alega ter deixado Brasília, às 16h do dia 13, após a família saber da suspeita sobre o estudante, ao ver um telejornal do meio-dia.

Em 20 de julho, Rudi Bauer dá um depoimento oficial a policiais civis gaúchos, em Porto Alegre. Conta ter recebido uma ligação de Marcelo por volta das 8h40 de 11 de julho, dizendo estar em Uberlândia (MG), após ter deixado o carro estragado às margens da BR-050 — Brasília-Santos —, perto de Catalão (GO), a 310km da capital. Marcelo afirma desconhecer o destino de Thaís e pretender ir para o Peru “pensar um pouco na vida”. O chefe do Estado do Maior da PM concede uma licença a Rudi. O pai de Marcelo pega estrada com a mulher e o filho mais novo, mas deixa André perto do Catetinho para voltar de ônibus à sua casa e esperar um possível novo telefonema do irmão. Os pais não encontram Marcelo em Catalão e também voltam a Brasília. Marcelo nunca mais liga, segundo o PM. Em 31 de agosto, ao depor na 2ªDP, o oficial levanta as possibilidades de o filho ter morrido a caminho do Peru — em um assalto ou suicídio — e de Thaís ter sido usuária de droga e executada por traficantes.
Jorge Cardoso/CB/D.A Press
Enterro da estudante Thaís Muniz Mendonça em 1987

A CAÇADA

O delegado Gilberto Dantas de Araújo, chefe da 2ªDP, pede a prisão preventiva de Marcelo Bauer em 17 de julho de 1987. Na manhã seguinte, a Justiça expede o documento. “Não temos pressa. Se ele estiver mesmo fora do país, pedimos a extradição, pois se trata de crime comum”, afirma Araújo. Porém, acostumada aos mandos e desmandos dos poderosos de Brasília, os moradores da cidade demonstram pessimismo, “Ele (Marcelo) nem vai ser preso. Filho de coronel…”, comenta um vizinho de Thaís, no enterro dela, em entrevista ao Correio.

Agentes do DF vão ao Rio Grande do Sul. Eles desconfiam que Marcelo tente seguir para o Uruguai. Nascido e criado em Cachoeira do Sul (RS), o pai do foragido integra o Serviço de Inteligência da PMDF. Conta com apoio de colegas de corporação e do Exército para esconder o filho, segundo os investigadores brasilienses. A legislação permite tal artifício, menos o uso da estrutura do Estado. Sem sucesso, com o passar dos meses, a Polícia Civil do DF distribui cartazes de “Procurado” de Bauer, com uma fotografia dele e sua descrição: “Cabelos castanhos, olhos escuros, cabelos lisos, 1,80m”. Investigadores vão ao Uruguai e ao Chile, em meados de 1998, mas não encontram Marcelo.

Com o caso no ostracismo, a direção da instituição convoca a imprensa, em 7 de setembro de 2000, e afirma ter localizado o fugitivo. E mais: acionados pelos colegas do DF, agentes da Interpol — polícia internacional que reúne 181 países — prenderam Bauer.

AS PISTAS

Com mandados judiciais, agentes brasileiros colocaram escutas nos telefones de Rudi e Míriam Bauer, separados há seis anos. Investigadores foram a Natal (RN) e a Porto Alegre, onde moravam, respectivamente, o pai e a mãe do acusado. Os policiais descobriram que Míriam , então assessora da Secretaria de Educação do estado, costumava pegar uma van até o centro da capital gaúcha para usar um telefone público de uma mercearia e contatar parentes. Para instigar os pais de Bauer a conversar sobre o filho, a polícia divulgou um retrato do acusado. Por meio de um programa de computador, peritos envelheceram as fotografias do brasileiro quando jovem, na tentativa de chegar à fisionomia atual dele.

Com as imagens nos jornais e nas TVs brasilienses, o casal começou a trocar telefonemas. Num dos diálogos interceptados, ainda em 2000, a mãe deu o telefone do fugitivo. O número era de Aarhus, na Dinamarca. Escondidos em uma pizzaria em frente à residência de Bauer, dois policiais candangos filmaram o acusado ao chegar da faculdade onde cursava comércio exterior. Os investigadores descobriram o número do apartamento do foragido por meio da caixa de correspondências do prédio. Nela havia etiquetas com os nomes Marcelo Davi e Hellen Davi Nielsen, uma dinamarquesa com quem Bauer havia se casado em 1992 e se separado quatro anos depois. Calvo e magro, o foragido passou a ser acompanhado pelos policiais brasilienses.
AS FRAUDES

Já preso, em depoimento à polícia dinamarquesa, ao qual o Correio teve acesso com exclusividade, Bauer contou ter tido ajuda financeira do pai para fugir do Brasil. De Brasília, seguiu para o estado gaúcho. Ficou dois anos e meio no Chile, com três passaportes falsos, “comprados de um delegado brasileiro”. Alegou não lembrar o nome, onde morava ou trabalhava tal policial. Voltou a Porto Alegre em 1990, onde, no Consulado da Alemanha, conseguiu um passaporte legítimo e a cidadania daquele país, por ser neto de alemão. No mesmo ano, deixou o Brasil, apresentando um passaporte contendo a sua foto, mas com o nome de Sinval Davi Mendes.

Antes da Dinamarca, ele morou na Espanha por alguns dias e na Inglaterra, por dois anos. Em Londres, onde trabalhava como garçom, conheceu a dinamarquesa com quem se casou. Bauer passou a morar com os pais dela, em Aarhus. Depois, o jovem casal alugou um apartamento, onde viveram seis anos. Divorciados, Bauer continuou no mesmo endereço, e Hellen se mudou para Copenhague. Em depressão, no Natal de 1996, ele escreveu uma carta de suicídio para Hellen. Mas, quando, desesperados, os ex-sogros chegaram à casa de Marcelo, descobriram que ele havia se internado em um hospital psiquiátrico, onde ficaria seis meses. O casal tentou convencê-lo a voltar ao Brasil para ficar com a família. Foi então que Marcelo, pela primeira vez, falou do passado.

Os pais de Hellen, em depoimento à polícia do país deles, contaram que Marcelo disse não poder retornar ao Brasil porque seria preso. Mas não falou da ex-namorada. Referiu-se apenas à morte da única irmã, Fabiane. “Ele (Marcelo) disse que enlouqueceu depois disso, falou que encontrou o responsável pela morte dela e passou a ser procurado pela polícia”, declarou o pai de Hellen. Marcelo também falou da irmã aos interrogadores dinamarqueses. Disse ter batido em Thaís uma vez, mas negou participação no homicídio da universitária. Afirmou nem se lembrar se namoravam na época do crime.

Policiais dinamarqueses apreenderam 12 documentos em um cofre mantido por Marcelo em um banco no centro de Aarhus.Entre eles, carteira de motorista internacional e três passaportes brasileiros falsos com foto de Marcelo e em nome de Sinval Davi Mendes.

Arquivo CB/D.A Press
Thaís Muniz Mendonça
AS HIPÓTESES

A não aceitação do fim do namoro e a vingança pela morte da irmã sempre foram as linhas de investigação da polícia brasileira para o assassinato de Thaís. O clima entre o casal piorou com a morte da irmã de Marcelo, aos 15 anos, em 19 de fevereiro de 1987, pouco antes do fim definitivo da relação entre Thaís e Marcelo. Fabiane foi à casa de Thaís e passou mal após cheirar a droga conhecida como loló, feita de clorofórmio. No apartamento, estavam apenas Fabiane e Lavínia, irmã de Thaís, que chegou pouco depois. Ao entrar no imóvel, a professora Vera Cecília Mendonça, 46, mãe de Thaís, encontrou as adolescentes desmaiadas. Conseguiu acordar somente a filha.

Vera chamou uma ambulância. Ao dar entrada no Hospital das Forças Armadas, médicos atestaram a morte de Fabiane por uma parada cardíaca fulminante. Os pais da menina estavam em Guarapari. A relação das famílias ficou complicada. Em depoimentos na 2ªDP e entrevistas à imprensa, os pais de Thaís levantaram a hipótese de o assassinato da filha ter sido motivado por vingança.

A EXTRADIÇÃO

O Ministério da Justiça do Brasil pediu a extradição de Bauer, logo após a prisão na Dinamarca. Mas os advogados do acusado conseguiram, em março de 2001, a suspensão na Corte Federal dinamarquesa. O Ministério da Justiça recorreu à Corte Suprema da Dinamarca. Nesse período, Bauer ingressou com o pedido de cidadania ao governo alemão e conseguiu. Quando a última instância confirmou a extradição, ele havia deixado o território dinamarquês. A Interpol o localizou numa cidade alemã, em 2002. O Ministério da Justiça tentou a extradição, mas teve o pedido negado.

Aos 45 anos, casado com outra dinamarquesa chamada Helle e trabalhando como professor, Bauer mora em Flensburg, na Alemanha, desde março de 2002, segundo o advogado brasiliense dele, João Costa Ribeiro Filho. O defensor não quis dar entrevista. “Não falo sobre os meus casos”, afirmou, por telefone. A reportagem pediu para conversar com os pais e o irmão do acusado. “Eles também não falam, mas vou transmitir o seu recado”, garantiu. Não houve retorno.

O Correio apurou que Rudi Bauer mora em uma ampla casa à beira-mar, em Natal. Já a ex-mulher dele reside em Porto Alegre. André vive em Brasília. Foi o único parente de Marcelo a comparecer à audiência de quarta-feira passada. Deixou o Tribunal do Júri de Brasília após assinar um documento como testemunha de defesa, sem dar entrevista. Quatro pessoas abordadas pela reportagem, que se identificaram como parentes de Thaís mas não deram nomes e também se recusaram a dar entrevista, assinaram como testemunhas de acusação. Ao conferir a lista de presença, o Correio constatou que uma delas era Lavínia, a irmã da vítima. Ela também ainda reside na capital.

Nesses 24 anos, a polícia nunca encontrou o Passat de Marcelo nem o revólver e a faca que tiraram a vida de Thaís.

“Duas ou três semanas antes de desaparecer, o Marcelo disse: ‘Estou a um passo da loucura…’. Eu achava que era uma coisa de guri.”
Tenente-coronel Rudi Ernesto Bauer, pai do acusado, em depoimento na 2a DP, em 20 de julho de 1987

“Aqui a barra está preta. Estou passando por uma situação muito traumatizante e constrangedora com o fim do meu namoro. O problema é que ele (Marcelo) não se conforma com o fim do nosso namoro. Já falou até em suicídio e o caramba. Eu não sei como agir. Estou há três meses nessa situação. Estou gostando de outro cara. E esse cara está sendo ameaçado pelo Marcelo também. Cada vez que o telefone toca, tenho a impressão que o mundo vai desabar. Não vejo a hora de acordar desse pesadelo.”
Thaís Mendonça, em carta escrita a um amigo de São Paulo, em 15 de junho de 1987

“Depois da morte da Fabiane, os familiares dela passaram a me ameaçar, especialmente Marcelo e a mãe dele. Queriam que eu negasse, em depoimento, o uso de droga. Queriam que eu mudasse a versão, mas eu não fiz isso.”
Vera Cecília Mendonça, mãe de Thaís, sobre a morte da irmã de Marcelo, em depoimento na 2a DP, em 14 de julho de 1987
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http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/cidades/2016/03/11/interna_cidadesdf,521674/memoria-relembre-caso-da-aluna-thais-mendonca-morta-por-marcelo-baue.shtml

Marcelo Bauer was finally sentenced to 18 years in prison in 2012 but is still living in Europe.

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